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Gênese da miséria humana

por ornitorrincoquantico, em 16.04.15

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A verdade mais verdadeira que há é que somos todos marionetes da célula mestra, da célula mãe, da célula Eva, aquela que foi o primeiro suspiro de Deus na Terra e surgiu no meio de um oceano vazio de vida. Ela veio sem cérebro, sem ego, sem nada complexo, mas veio com algo mais forte que a força que a fez surgir naquele mar de matéria e substância. Ela veio com uma consciência, uma conscienciazinha bem primitiva e que em nada lembra o que entendemos por consciência hoje. Ela veio com um negócio intraduzível pelas palavras tradicionais do arcabouço científico, ela veio com a capacidade de perceber que era feita de matéria e que de alguma forma ela tinha um algo a mais que toda a matéria em sua volta.

E ela viu, que essa matéria em sua volta, estava em constante mutação. Não havia indivíduo, havia uma massa vibrante de energia, sem antes, nem durante e nem depois.

A pobre célula primordial se assustou. Ela se reconheceu diferente de todo o resto e queria "ser" para sempre, não se diluir naquela loucura toda da matéria. Ela era o supra sumo do universo, como poderia retornar à condição de substância??

Não, algo precisava ser feito! Sua inquietação foi tão grande, mas tão grande, que fez criar um choque de criatividade, que ricocheteou em sua membrana plasmática e fez nascer uma ideia: iria ser imortal. Era seu plano, pra nunca mais retornar ao pó de onde havia estado antes e para ser a rainha da matéria, a líder dos átomos, a governanta do universo.

Mas ela percebeu também que sua carcacinha estava em deterioração, logo logo era o retorno à matéria. Muito em breve ela iria conhecer o processo que hoje conhecemos como morte. Ela ficou aflita, inquieta, um verdadeiro caldeirão de sensações passou a colidir em seu interior, de um modo extremamente insano, até que ela não conseguiu aguentar e explodiu!!

Explodiu, mas não era o seu fim! Ela observou que continuava igual, mas aí viu algo que a assombrou: ela se viu, bem ali na sua frente. Havia outro eu dela. Não estava só. E viu que todo o processo que ela passou, esse seu novo eu também passava. O outro eu também explodiu e, da explosão, outros "eus" foram surgindo. Logo, o mar estava cheio de cópias dela, algumas novas, algumas mais velhas, todas passando por tudo o que ela passou.

Ela então sentiu que seu fim se aproximava, porém entendeu que ela fez uma coisa estupenda. Ela se recriou. Aqueles outros seres à sua frente eram ela também. Conseguiu sua meta, se eternizou. Pelo menos, enquanto o mar de matéria permitisse e não se voltasse contra eles. Ela viu que que não tinha domínio algum de suas cópias, eram todas independentes, mas todas elas estavam fadadas a passar pelo mesmo processo.

Ela sorriu. Estava pronta para retornar ao pó. Sabia que continuaria existindo mesmo não estando ali, e tinha extrema confiança que suas cópias iam ter inteligência suficiente para refinar o processo e o melhorar. E ela disse adeus à sua carcacinha, que retornou à vibração primordial. E suas cópias deram sequencia ao seu legado, até chegar na gente, humanos, que achamos que somos os mestres do universo mas na verdade somos apenas um grande caminhão que transporta o legado e a imortalidade da nossa célula mãe. Ela, sim, a única sábia.

 

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publicado às 17:56



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