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Pequena grande viagem de fim de semana

por ornitorrincoquantico, em 17.07.09

 

Dia desses acordei de um longo sono e olhei para o chão. Lá, vi o corpo de uma pessoa viva que se desligou do mundo real e se entregou à inércia, uma pessoa sem sonhos, sem perspectivas, sem planos... infelizmente, a gente não consegue mudar o destino de ninguém, não é simples mostrar a realidade para alguém que a nega.

 

Mas podemos fazer algo por nós. Percebi que não posso deixar a inércia me dominar e que o tempo passa rápido e, nesses dias contemporâneos, passa mais rápido ainda.


Então decidi planejar coisas a fazer de agora em diante até os próximos anos. Trabalhos,estudos, amores, família, amigos... enfim, vários planos, projetos e ideias.


E como projeto inicial decidi me dar um presente: uma viagem, um passeio livre, sem compromissos maiores. Nos últimos anos minhas únicas viagens foram para estudos ou provas, nunca para me distrair (tá, as viagens para as cidadezinhas próximas da minha cidade não contam...). Mas aí veio o primeiro obstáculo: como viajar se a minha grana está curta e até o momento não começaram meus novos trabalhos e o meu atual está indo para o fim? Então sentei, fiz algumas contas, pensei em quem eu conhecia e onde moravam, pedi ajuda a um amigo e cheguei ao seguinte resultado: daria para ir a São Paulo ou Campinas (ou as duas). Tenho vários amigos nessas cidades e há muito tempo que prometo visitá-los, então decidi o destino.


Faltava o quando. Abril não deu. Junho era perfeito, tinha a exposição da França no Masp que eu queria ver, mas o fim de semestre apertou. Aí só me restou julho, e mesmo assim teria que ser na primeira quinzena, antes de voltar para Minas (para os leitores que não me conhecem, eu sou de Passos-MG e moro atualmente em São Carlos-SP, onde estudo).


Julho então chegou e decidi que não poderia esperar mais. Mandei e-mails e recados por todas as redes sociais que foram possíveis para os meus amigos dessas duas cidades. Uma das minhas maiores motivações é que eu tenho alguns amigos, de um grupo de cinema que participo há muitos anos, e que moram em São Paulo. Seria uma oportunidade perfeita de os conhecer "presencialmente", principalmente porque comecei a fazer amigos virtuais em 2003 e até 2009 nunca tinha conhecido nenhum.


Os dias foram passando e me lembrei de um feriado que existe aqui em São Paulo que esse ano caiu numa quinta. Então meu plano inicial era: Campinas no feriado e na sexta e Sampa no sábado e domingo. Mas não deu para ser assim... Pra começar arrumei um pequeno trampo para fazer e que me consumiu a quinta e sexta, e muitos amigos não haviam me respondido ou já avisaram que não poderiam. Nesse momento lembrei de minhas aulas de gestão de pessoas e tentei conciliar as possibilidades de quem havia acenado favoravelmente.


Chegou então a noite de sexta e eu ainda não tinha nada acertado, minha única certeza é que no sábado eu acordaria de manhã e pegaria um ônibus na rodoviária. Poderia desistir, mas como bom leonino, sou teimoso, persistente e quando ponho algo na cabeça não é fácil tirar de lá. Quando foi dando 10 horas e eu ainda na espera de algumas pessoas, foi surgindo um pouco de medo e insegurança. Essa viagem, por mais boba que fosse, seria o pontapé inicial para a realização dos meus planos e se desse errado ou não acontecesse eu os veria desmoronar como castelo de cartas. Cartas. Precisava de um conselho rápido naquela hora e me lembrei do tarô. O tarô é um ótimo conselheiro e talvez ele poderia me ajudar.


Joguei. E o que deu? Saiu a carta do Louco, me dizendo que era o momento de eu me permitir algumas loucoras e me entregar ao desconhecido e também a carta Carruagem que me disse o seguinte:

 

 

O arcano da Carruagem emerge do Tarot como arcano conselheiro neste momento da sua vida, Rubens, sugerindo a importância de um maior controle emocional e do entendimento de que antes de querermos ter poder sobre o que (ou quem) quer que seja, é fundamental ter domínio sobre nós mesmos. Saia da inércia, passeie, viaje, conheça gente. É chegado o momento de se pôr em ação na direção das coisas e pessoas que você almeja conquistar. O mais importante, neste momento, é se mover. Ao invés de esperar que as coisas aconteçam, faça acontecer! Quanto mais você esperar, hesitando, maior a chance das oportunidades se esvaírem. Em alguns momentos, precisamos ter o máximo de senso de oportunidade... e alguma velocidade!

Conselho: Momento de agir!

 

E ainda recebi essa mensagem do meu mapa astral:

 

Sobre minha vênus (vênus é o planeta que rege a forma como nos relacionamos com as pessoas):

"É um bom momento para atividades sociais, Rubens. Convém sair mais com as pessoas, circular nos ambientes, fazer-se ver. Nunca se sabe quem se pode encontrar nestes movimentos, mas uma coisa é certa: serão pessoas benéficas, seja para a sua vida afetiva, seja para a sua vida profissional"

Sobre meu mercúrio:

[...] Viagens são favorecidas neste momento, assim como os contatos com amigos ou parentes que se encontram distantes.

 

E ainda dei uma olhada no I Ching, e saiu um "Água em cima, terra em baixo". O que significa? Prefiro não comentar...rzz... mas posso dizer que fala sobre o amor e diz muita coisa bonita . Mas para o tema desta crônica o importante foi a seguinte frase:

 

"[...] Neste momento, nada será resolvido apenas por você, pois perceberá que sua força aumenta à medida que você está ao lado de pessoas a quem você ama [...]"

 

E depois de todos esses conselhos eu poderia desistir? Mas nunca!!! E foi aí que recebi a confirmação de três pessoas.


Fiz três planos para essa viagem então. Quando estivesse em São Paulo eu tomaria a decisão final.

 

E assim chegou o sábado e lá fui eu para a rodoviária com meu caderninho amarelo de anotações e um rolo de pintar (depois explico...rzz). Peguei o ônibus e fui para São Paulo...


1° Estação: Av. Paulista, 15h15 no metrô Consolação, onde conheceria meu amigo virtual Michel Auki.

 

Cheguei em São Paulo sob uma chuva deliciosa. Eu adoro chuva. Houve um tempo em que detestava mas hoje não mais. Tá certo que chuva sempre trás alguns incovenientes mas vocês já repararam como ficamos bonitos molhados de chuva? E ela sempre nos pede calma, paciência e tranquilidade.

 

A chuva em Sampa não estava nem muito forte e nem muito fraca e a temperatura estava fria mas também não muito. Ou então eu estava tão nervoso com a aventura toda que nem reparei no frio. A rodoviária, como sempre, estava lotada de pessoas de várias partes do Brasil (e do mundo). Sentei um pouco em um banco e fui comer umas bolachas, embora não estava com muita fome, o que eu queria mesmo era olhar para as pessoas que estavam por ali. Adoro reparar nos outros, ver como se vestem, como falam, quem tá triste, quem tá feliz... é assim que alimento minha criatividade para criar os personagens de minhas histórias.

 

Olhei as horas e vi que faltava pouco para dar três horas. Hora de correr para o metrô.

 

Outra coisa que eu acho maravilhoso é o metrô. Nos anos em que cursei administração e passava por São Paulo para ir pra Santos o que mais adorava era andar de metrô. Um lugar cheio de pessoas, cheio de personagens em potencial. O único defeito do metrô e dos paulistas em geral é a pressa. Como esse povo corre... e a gente acaba correndo também, mesmo sem motivo.

 

Mas nesse dia o metrô estava diferente, não haviam muitas pessoas e muitas estavam até de bom humor. Enquanto observava o entra e sai de gente do trem reparei em mim e percebi o quão engraçado eu estava segurando um rolo de pintar na mão (calma, quando chegarmos na segunda estação eu explico). Aí me lembrei da carta do tarô e fiquei me perguntando se era apenas coincidência as associações que eu estava fazendo: eu era O Louco, o metrô A carruagem  e, o I Ching, água em cima era a chuva que caia na cidade, terra embaixo era o subsolo, o caminho do metrô. Que coisa...

 

Cheguei finalmente na estação Consolação, meu ponto de encontro com o Michel. Não irei explicar quem é o Michel e nem meus outros amigos nessa crônica, porque senão ficaria maior do que vai ficar e eu não teria material para minhas crônicas do "Diz-me com quem andas...", afinal eles entrarão lá com certeza. Acompanhem meu blog que vocês os conhecerão no futuro, OK?

 

Pois bem, cheguei na Consolação e olhei no celular: eram 15h15! Cheguei exatamente no horário programado, de uma pontualidade que eu não estou acostumado em minha vida. Mandei mensagem ao Michel e ele me disse que atrasaria um pouco por conta da chuva. Enquanto isso, fui conhecer a Av. Paulista. É incrivel pra gente que é capiau olhar para aqueles prédio enormes. E ela estava linda com a chuvinha que caia. Voltei para o metrô e fiquei esperando o Michel enquanto realizava a atividade que mais gosto: observar as pessoas. O lugar estava até um pouco vazio. E não era o único a esperar alguém, havia também um grupo de adolescentes que esperavam outro grupo de adolescentes. Sempre chegava um mas nunca chegavam todos. E a conversa que eles tinham era ótima, tinha que me segurar para não rir e para que eles não percebecem que eu ouvia. Também apareceu um casal de rapazes gays que se despediram e se beijaram apaixonadamente, um outro rapaz de cabelos com drads andava de um lado para o outro inquieto, uma funcionária da segurança conversava distraidamente com outra e aí um rapaz passou e eu pensei que era o Michel. Corri atrás dele e reparei que ele estava procurando alguém. Só podia ser o meu amigo. Mas não era e eu fiquei morrendo de vergonha. Mas era muito parecido com o meu amigo, demais, só tinha o cabelo um pouco maior mas o rosto era idêntico.

 

Voltei a esperar e a observar o povo até que o Michel chegou. Ele foi super simpático e a primeira coisa que me perguntou foi sobre o bendito rolo de pintar. Ele disse que por causa desse rolo ele tinha certeza que eu era maluco MESMO...rzz

 

Nosso tempo seria muito curto, infelizmente. Mas conseguimos conversar sobre muitas coisas e eu pude saber um pouco sobre os projetos dele, como a viagem para a Austrália que ele fará mês que vem para estudar inglês. Conversamos, conversamos, conversamos e logo nos despedimos. Fui então comer em uma padaria indicada pelo Michel, chamada Bella Paulista. Gostei tanto do folheado que eu comi lá que vou até fazer propaganda deles, se forem na Paulista, vão na R. Haddock Lobo, 354 e peçam esse maravilhoso folheado e também as outras delícias que tem lá. O atendimento é ótimo e o preço também.

 

Voltei para a Rodoviária e era hora de decidir. Tinha 3 caminhos. Pensei, refleti e decidi pelo caminho que me levaria à Campinas.

 

2° Estação: Rodoviária de Campinas, 18h30, encontrar com meu amigo de alojamento na UFSCar, o Alexandre.

 

 

Agora vocês entenderão o porque do rolo de pintar. Não! Não é porque eu sou enrolado, é porque o Alexandre é pintor e ele havia levado seu material para nosso alojamento para pintar lá. Foi a última coisa que ele fez antes de deixar São Carlos e voltar para Campinas, só que ele esqueceu o seu melhor rolo lá em casa. Quando eu liguei na sexta perguntando se ele me receberia em sua casa ele disse que sim e me pediu que levasse o seu rolo, pois ele estava fazendo falta. Foi por nossa amizade e por saber o quanto ele precisava desse rolo que optei para realmente ir a Campinas. Desisti então do meu encontro com o pessoal de cinema, que ocorreria no domingo. Tenho certeza que terei outras oportunidades futuramente.

 

Voltando à história, cheguei em Campinas às 18h45. Pensei: dessa vez não fui pontual. Que nada, eu cheguei no exato momento em que o Alexandre chegou para me buscar. Eu sai da escada rolante e ele apareceu no muro me procurando. Incrível!!!

 

Fomos de ônibus até sua casa e lá conheci sua mulher, a Angélica, que é um encanto de pessoa. Conversamos muito e fui tratado muito bem por lá. E matei a saudade de ver televisão, fazia 2 meses que não via (um invejoso e mal comido que mora comigo cortou o fio da minha velha TV há algum tempo, por isso fiquei sem TV). Conversamos, conversamos, conversamos e eu assisti muita coisa legal. Durante a noite revi Procurando Nemo que é um filme que adoro e que nunca me canso de dar risada e de me emocionar. O Alexandre também preparou muita coisa gostosa pra gente comer, tive meu dia de rei...rzz

 

No dia seguinte passei a manhã com a Angélica assistindo seriados e conversando sobre seriados e vilões de novela. Relembrei as séries que eu assistia quando pequeno como Alf, Profissão: Perigo e A gata e o rato. Ela disse que eu era a primeira pessoa que ela conhecia que se lembrava do Alf. Como pode existir gente nesse mundo que não conhece o Alf??? Depois relembrei das séries que assistia na adolescência como Louco por você (Mad About You) e Angel e as séries que acompanhei e ainda acompanho como Dr. House, Supernatural, Arquivo Morto, 24 horas, Gray's Anatomy e Ugly Betty.

 

Enquanto isso passava na TV um episódio de Private Practice, com a Kate Walsh (adoro essa mulher!!!). Nossa, mas que dramalhão é esse seriado, nem novela da globo é assim!!! Pra começar houve uma troca de embriões, duas mulheres ficaram grávidas com o filho da outra. Uma quer tirar e a outra, que não pode mais ter filho, quer ter. Aí a que quer tirar quer que a outra tire também mas ela não tira porque é sua única oportunidade de ser mãe. Enquanto isso uma psiquiatra grávida recebe a visita de uma paciente que a seda do pescoço para baixo e diz que vai tirar seu filho porque ele seria dela na verdade. E a doida levou todos os instrumentos para roubar o filho da outra. Que coisa!!! Nem preciso dizer a cara que o Alexandre fez quando a gente contou a história a ele...rzz O pior de tudo é que o episódio acabou quando a moça ia enfiar a faca na barriga da grávida. Droga!!! A Angélica ficou incubida de me contar o que acontece...hahaha

 

Depois fomos assistir o programa de culinária do Jamie Olivier. Esse cara é incrível na cozinha e faz tudo parecer muito fácil de fazer. Eu gosto de cozinhar e ele estava fazendo um especial sobre pizzas. Adorei, aprendi muita coisa e quero testar depois na minha casa em Minas. Em seguida, assistimos a um filme que até aquele momento eu ainda não havia visto inteiro, que é o "Como se fosse a primeira vez", sobre a moça que tem a memória fraca e que não consegue se lembrar de nada do dia anterior depois que acorda e um rapaz se apaixona por ela. É realmente um filme lindo e tocante. O curioso é que a personagem desse filme lembra a Dolly de Procurando Nemo, que eu havia revisto. E isto me fez lembrar de um antigo conselho que um amigo me deu há anos atrás quando eu estava numa depressão terrível: nessa vida devemos ser como a Dolly, mas só que com relação as coisas ruins que nos acontecem. Devemos esquecer de tudo o que foi ruim que nos aconteceu e olhar para a vida sempre para frente, como um caderno em branco a ser preenchido.

 

Nunca esqueci desse conselho e esse dois filmes me fizeram lembrar disso e perceber que eu havia finalmente aprendido a lição.

 

Voltando à história, em Campinas eu ainda queria encontrar a Laura, minha amiga de faculdade, e minha prima Viviane, que agora mora lá. Liguei para a Laura e ela não estava em casa, deixei recado. Mandei uma mensagem para minha irmã em Passos para ela me mandar o número do telefone da Vivi. E ela me mandou. Mandou o número de OUTRA Viviane. Outro mico, como aquele do metrô. Só rindo mesmo...

 

Mas depois ela me mandou o número correto e falei com a Vivi, marcando um horário à tarde pra gente se ver. Me arrumei, peguei minha mochila, meu caderninho amarelo e me despedi da Angélica e do Alexandre, que me levou até o ponto de ônibus.

 

3° Estação: Macro da Santos Dumont, 16h30, onde encontraria a minha prima Viviane e seu marido Leopoldo.

 

 

E mais uma vez cheguei no momento exato. No momento em que desci do circular minha prima e seu marido apontaram na passarela. Fomos então para sua casa que era logo ali perto.

 

Eles são de Guaxupé-MG, e só fiquei sabendo que eles estavm morando em Campinas recentemente. Então me surpreendi quando eles contaram que chegaram em Campinas em fevereiro com a cara e a coragem. Tinham apenas R$400,00 num bolso e um monte de dívidas no outro. E um objetivo: arrumar um emprego que pagasse melhor do que eles ganhavam em Minas e que possibilitasse eles formar um lar. No início contaram com a ajuda de alguns amigos que deram abrigo e todos os dias bateram perna atrás de trampo.

 

E conseguiram! Estão trabalhando em uma mesma empresa, ganhando bem, alugaram uma casa, pagaram as dívidas e estão construindo aos poucos seu lar. Incrível!!!! Fiquei admirado com a coragem e a garra deles.

 

Eu disse para minha prima que quando eu era pequeno sempre achava ela muito mais velha do que eu e que com o tempo essa diferença foi diminuindo, ao ponto de hoje praticamente não existir (são apenas 4 anos de diferença). Ela também disse que essa impressão ela tem com minha irmã.

 

O melhor desse nosso encontro é que eu descobri que tenho um casal que além de serem meus primos são meus amigos. Ela me contou e desabafou de coisas alegres e também tristes. Conversamos, conversamos, conversamos e ainda falei com minha irmã e sobrinhos pelo MSN do notebook da minha prima. Depois fomos ao shopping bater perna e comer alguma coisa.

 

Também contei a ela sobre alguns dos meus projetos e do sonho de escrever dois livros, um infantil e um adulto. Eles adoraram a história dos dois e ainda me deram uma personagem de presente. Aliás, o que eu mais consegui nessa viagem toda foram personagens para minhas histórias. Também adorei saber que minha prima adora ler e que sempre que dá compra um livro. Ganhei uma companheira de leitura!

 

Ah, não se preocupem, no shopping nós comemos no Habibs, não no McDonalds. Não, ainda não era a hora nem o momento d'eu perder minha virgindade de McDonalds....hahaha

 

Ah, claro, enquanto estava com eles a Laura me ligou avisando que iria para São Carlos no mesmo ônibus que eu ia também. Mais uma adorável coincidência. E ela não ia só, a Natalie, nossa amiga de faculdade e que mora em Itu, iria também. Sensacional. E lá fui eu para minha última estação...

 

4° Estação - Estação Final: Rodoviária de Campinas, 21h30, encontrar com a Laura e a Natalie.

 

 

Esse foi o encontro mais surpresa do fim de semana. Cheguei à rodoviária a tempo de comprar a passagem para São Carlos e encontrei minhas duas amigas mais um amigo delas. A Nat estava quase desabando com dois potes de suco e lanches que ela tinha ido buscar no Bobs (essa crônica está cheio de propagandas, que isso...rzz). Conversamos, conversamos, conversamos e corremos para pegar o busão. Foi muito rápido, nem deu para falar muita coisa e dentro do ônibus ficamos distantes.

 

Mas aconteceu que eu não percebi que o ônibus havia chegado em Sanca e que já havia passado meu ponto. A Laura me ligou e avisou. Estava tão feliz relembrando tudo que havia passado que nem percebi que a viagem acabara. Aí desci com a Laura e ficamos conversando durante horas.

 

A Laura foi desabafar comigo sobre coisas horríveis que aconteceram com ela. Foi o momento mais triste da viagem. Ela sofreu muito nos últimos dias e eu não estava sabendo de nada. Ela me contou que seu melhor amigo havia acabado com a amizade deles de anos e que ela estava arrasada com a forma que tudo aconteceu. Foi muito trista. A Laura é muito forte, enquanto ela contava isso e outras coisas duras que aconteceram em sua vida ela não chorou, mas engasgou. Eu estava quase em prantos com toda a história, mas também tinha que ser forte para apoiá-la.

 

Acho que foi ótimo para nós dois, ela pode clarear um pouco sua mente e certamente foi um alívio desabafar todas as dores que sentia, e eu pude repensar minha vida e meus amigos. Se acontecesse algo parecido comigo eu ia ser a tradução da música da Maysa: "Meu mundo caiu... eu que aprenda a levantar...". Passei a amar e a valorizar minhas amizades ainda mais e fiquei feliz por poder ser amigo da Laura nesse momento.

 

A vida é assim, levamos tombos mas quando temos força e fé, logo nos levantamos e nos recuperamos.

 

Minha viagem só acabou mesmo no dia seguinte quando fomos almoçar. Daí me despedi da Laura e voltei para o buraco onde moro. E lá estava o corpo estendido no chão, morto, respirando, inerte e entregue às baratas.

 

E eu feliz, como há muito tempo não era. E felicidade, pode ter certeza, atrai felicidade. Durante essa semana recebi duas notícias ótimas sobre minha vida profissional e de estudante. As coisas estão começando a acontecer, está tudo em movimento em minha vida. E eu estou entregue a esse movimento também.

 

O que virá daqui em diante? Não sei, mas se esse fim de semana foi o marco inicial e como ele foi como foi, então acho que só posso esperar o melhor. E mesmo que apareçam sombras, sei que agora estou mais forte e feliz. Esperando o próximo capítulo desse seriado maravilhoso que é minha vida.

 

Ah, meus 25 anos estão acabando... Um ciclo de 1/4 de vida encerrando.. Eu gostei dessa época e estou ansioso para a próxima fração de 2/4....

 

E para encerrar, encontrei esse recado da minha prima para a irmã dela no Orkut. Resume bem como foi meu encontro com todos os amigos nessa viagem. Foi bem assim mesmo:

 

"Fala pra mãe que ontem o Rubens teve aki em casa - pasme!!!

Ele me ligou e falou: to aki!

Eu disse: vem aki!!!!!!!!!!!!

E ele veio!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!"

 

 

É isso aí. E você, amigo leitor querido e silencioso, só tenho uma coisa a te dizer depois dessa longa história: permita-se ser feliz também, entregue-se sem medo ao destino, tenha fé e cultive suas amizades. Amigos não são fáceis de conseguir e se você os tiver dê graças aos céus e os ame de verdade. Porque como disse Guimarães Rosa:

 

Amizade dada é

 

 

rzz... tinha que acabar com mais uma propaganda, é claro!!!

 

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

Charles Chaplin

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publicado às 21:04



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